Proposta para o

NATIONAL MUSEUM OF WORLD WRITING

 

Songdo Park. Incheon. South Korea.

A concepção primordial do projeto prevê liberar o máximo de área possível para uso público no terreno, transformando-o em um parque aberto. Por este motivo o partido arquitetônico sugere um volume elevado do solo sustentado por cabos de aço fixados a uma sequência de pórticos de madeira laminada colada, sendo esta estrutura reforçada por colunas metálicas.

 

A volumetria do conjunto se divide em cinco blocos distintos: a) Public & Service Block; b) Exhibit Block; c) Education Block; d) Office Block; e) Underground Block. Neste último se distribuem a Storage and Research Areas.

 

O Public & Service Block foi pensado para ser convidativo e receber os visitantes, encorajando experiências sensoriais imersivas em 4d a partir da projeção mapeada em paredes e teto no último pavimento. A fachada produz uma sequência de informações úteis, anunciando exposições temporárias etc., através do painel de LED instalado no brise soleil que foi projetado para ser visualizado do automóvel em movimento ou transeuntes a pé ou bicicleta, uma vez que se adotou o formato de seção triangular, direcionando suas faces em ângulos favoráveis. O pavimento de chegada deste bloco foi rebaixado para se atender à exigência de altura máxima da edificação, o que proporcionou a criação de uma escadaria pública, que se acredita atrair a desaceleração do cotidiano e favorecer o encontro entre as pessoas, sem prejudicar a acessibilidade de cadeirantes, uma vez que tenha sido interceptada por uma confortável rampa diagonal com 5% de declividade. Já o mezanino, que se eleva 35cm do nível da calçada, é acessado por uma generosa rampa, sob a qual se transforma a escadaria em arquibancada, onde as pessoas podem se abrigar e relaxar.

 

O acesso ao bloco do museu é feito pelo subsolo, ao nível da bilheteria, a partir de 2 túneis e elevadores, cujo hall distribui o acesso para as exposições temporária e a permanente. Os elevadores e escadas, bem como os monta-cargas, estão instalados num core estrutural de concreto, que dá firmeza à estrutura. Sendo suspenso este bloco deixa livre uma grande área coberta por ele, à qual o cidadão ou visitante tem acesso livre ao passo em que se conecta abertamente à Frontal Plaza. Neste espaço foi disposta a employe cafeteria que, também, atenderá aos museum officials and tourist groups, in certain occasions. Claraboias aí, que levam luz ao subsolo, se transformam em bancos para livre uso de todos. A sequência de portais em MLC, que sustenta o volume do museu, foi pensada para fazer alusão ao ato de se folhear um livro e poder ser vista de longe como marco urbano, distinguindo-se na região sem perder o equilíbrio da imagem urbana.

O conceito do espaço do museu envolve a ideia de fluidez e liberdade compositiva através de um volume arquitetural único em formato de vagão de trem ou mesmo uma nave, aludindo certamente à difusão do conhecimento, através toda escrita, mundo afora. Alturas desiguais internamente discriminam áreas onde podem ocorrer livremente as temáticas de exposição, conforme sugere o material de referência: a) World Writings; b) Origin & development; c) Writing's role in culture and society; d) Writing and Recording; e) Characters into Art; f) Creation with characters. Dentro deste volume poderão ser dispostas tendas, displays e bancadas para a exposição organizada dos goods, bem como, sugerem-se espaços livres para projeção de hologramas e distribuições de itens interativos pendurados no teto. O fluxo de visitação da Permanent Exhibit foi pensado para ser contínuo, podendo ser iniciado pelo nível mais baixo e finalizado através da saída no nível do mezanino ou vice-versa, dependendo do que a organização institucional determinar. O mesmo vale para a Special Exhibit, porem em nível único. Ampliações futuras são possíveis, uma vez que o mezanino passa se estender até o limite do volume, transformando-se em pavimento inteiro. Porém a ocupação sobre o terreno já se encontra projetada próxima do máximo permitido, impossibilitando a ampliação externamente. Este caso poderá ser analisado pelas autoridades com o argumento de que o volume seja suspenso, o que vem a tornar o terreno livre para uso público e índices de permeabilidade sejam garantidos pelo uso de pavimentação drenante.

 

O prédio educacional comporta um auditório que se abre ao fundo para uma plateia externa ocupando o campo gramado, o que traz para o empreendimento uma imagem de interatividade e abertura para a cidade, transformando-se num equipamento amigável e convidativo para os cidadãos podendo, ali, serem promovidos eventos artísticos/culturais de livre escolha da organização e sociedade civil. A fachada do palco externo foi pensada para receber projeção mapeada durante os eventos ou, possivelmente, em outras ocasiões como informativos e estimulantes de campanhas sociais como outubro rosa ou novembro azul, por exemplo. Apesar de ser integrado visualmente, o aceso a este bloco é independente e se conecta à Central Plaza por uma rampa sob o pavimento da biblioteca. Este prédio comporta também: Multi-purpose zone; Seminar room; Lecture room.

 

Independente bambém é o acesso à Cafeteria e à museum shop para que possam funcionar em horários próprios, de acordo com suas administradoras responsáveis, para atender ao público externo sem impactar na programação do museu.

 

A Central Plaza é um lugar aberto ao encontro sob a qual está o acesso ao estacionamento subsolo deixando livre a calçada, pois submerge tangencialmente ao alinhamento do meio-fio, mantendo a continuidade das vias de circulação de pedestres e bicicletas. Devido à posição indicada para este acesso de veículos, foi pensado o deslocamento da travessia de pedestres, ao outro lado da pista, para a outra extremidade do lote através de uma passarela elevada.

 

Desta mesma extremidade do lote emerge um volume arquitetônico que lembra a ponta de um grafite, trazendo alusão à ferramenta de produção da comunicação gráfica universal: o lápis; ou, ainda, em outra analise, aos totens, colunas e obeliscos que, em épocas remotas, eram ferramentas de comunicação dos povos. Este volume fora de prumo, onde estão contidos o Office e o Night-duty room, parte do subsolo elevando-se além do nível da rua como se perfurasse a terra, despontando no horizonte. A conexão com a rua e área de Research e Storage se faz através de passarelas e escada ligadas a um volume de controle de aceso de funcionários, onde fica o core de escada/elevador. Adjacente a ele está o estacionamento de funcionários e ônibus, bem como o acesso de carga e descarga através de uma rampa que se descreve ao nível -7.00m, onde está o off-load deck. Esta parte do complexo é acessada através da rua lateral, distinguindo-se do acesso do público visitante que se encontra à margem da via principal. O carregamento dos goods para os espaços de exposição será feito através de dois monta-cargas de grandes dimensões que servirão a ambos os lados, Exibição Especial e Exibição Permanente, de acordo com as determinações da administradora.

A arquitetura do complexo foi pensada para ser impactante mas, ainda assim, integrada à imagem do local. As escolhas de materiais de construção e acabamentos, como gramados e pisos drenantes nas áreas externas, estrutura de madeira, sendo um insumo renovável, placas fotovoltaicas nas coberturas, iluminação natural ou de baixo consumo e alto rendimento etc., levam à garantia da sustentabilidade exigida para o empreendimento, que se espera se impor como um marco arquitetônico para a cidade.